domingo, 27 de janeiro de 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?


Vi essa pergunta na internet, numa dessas mensagens pra fazer a gente pensar e não é que funcionou. Imediatamente minha cabeça começou a maquinar e, pra minha surpresa, minha resposta mental foi: ontem.
Quão engraçado, por uma grande coincidência ontem foi o dia em que peguei pela primeira vez em uma gaita. Constatar isso me deixou um tanto encabulado, criamos tantas expectativas em torno de nossas primeiras experiências, não é mesmo?
O que é algo bom, afinal de conta se não tivéssemos alguma vontade que nos movesse em direção de algo novo estaríamos para sempre emperrados sem fazer nada. Uma pena é que com o tempo as coisas novas vão se tornando cada vez mais difíceis de acontecer. Cria-se a falsa impressão de que já fizemos tudo que se pode fazer – o que não passa de uma grande mentira.
Sem nada novo o mundo vai ficando muito igual, as coisas não surpreendem mais. As cores ficam mais opacas e sem graça, passamos prestar menos atenção no mundo – tudo fica meio robótico. Quando se domina uma técnica já não se pensa em sua execução.
Por isso é muito bom nos desafiarmos a fazer coisas novas, fazer a cabeça pensar de um jeito que ela não tá acostumada. Voltar a prestar atenção no mundo reparar ele de outras maneiras. Por mais patético que possamos parecer quando estamos aprendendo algo é exatamente isso que nos faz continuar a construir nosso ser.
Eu mesmo, com a gaita, estou feito criança que ganha um brinquedo novo. Procuro familiarizar-me um pouco mais com ela a cada espaço de tempo que encontro. E como é difícil aprender a tocar um instrumento novo – como eu tinha me esquecido como são difíceis as coisas feitas pela primeira vez.
É um tormento prazeroso, me irrito por não dominar a técnica (e como poderia se nunca tinha praticado antes?), entretanto ao mesmo tempo me sinto orgulhoso a cada acerto e pequeno avanço. Talvez seja essa a coisa mais importante de se aprender algo: dar valor aos pequenos passos, aos pequenos avanços. Sentir-se realizado por conseguir cumprir uma nova tarefa por menor que ela seja.
Olhe para trás e pense em tudo que você já aprendeu até hoje, tudo mesmo. Vá se lembrando de como foi difícil aprender todas essas coisas, agora pense como você as executa de forma tão automática que faz com que elas se pareçam sem importância. É engraçado, não é? Depois que “dominamos” algo já não lhe damos o mesmo valor que quando estávamos aprendendo.
Que tal se propor um jogo: ainda nessa semana tente fazer algo que você nunca fez, tente aprender algo novo. Talvez dê pra voltar a sentir um monte de coisas que você nem se lembrava mais como eram.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Um bom nome



– Cara, preciso de uma ajuda sua...

– Fala aí, o que você quer?

– Estou escrevendo uma história e empaquei em uma das coisas que deveria ser simples: os nomes dos personagens. Acredita?

– Serio mesmo? (risos) Mas, isso é muito fácil de resolver.  Posso te atirar uns nomes e você escolhe um, não é possível que nenhum deles te sirva. 

– Acho que você não entendeu...

– E quantos personagens são?

– Apenas dois, um homem e uma mulher.

– Vou começar pela mulher.

– Não é bem por isso, é que...

– Karla.

– Melhor não...

– Luíza.

– Também não...

– Débora.

– Não sei...

– Qual o problema desses nomes?

– Então... é que eu já tive um relacionamento com uma de mesmo nome e conheço outras de nomes iguais, não quero que algum amigo imagine que a história é pra alguma delas. Me deixaria profundamente sem jeito, vai que elas acabam lendo e também acham?!

– Acho que estou começando a entender qual o verdadeiro problema.

– É mesmo?

– Sim, você é maluco.

– Qual é? Estou falando sério, preciso arrumar um nome que seja neutro. Tá tão difícil...

– Também estou falando sério, você só pode estar mal da cabeça. Até parece que uma mulher vai parar pra pensar uma coisa dessas.

– Tá bom, você me convenceu. Agora só falta pensar no personagem masculino, mas com isso vai ser mais fácil.

– Aí, nada de usar meu nome. Ok?

– Mas... qual o problema?

– Vai que o personagem é louco e o pessoal fica achando que você tá falando de mim.