O rei dos patifes é o maior dos carentes.
Mais do que dizer o que se pensa é importante saber escutar. Nem sempre pontos de vista são afins, e é bom que não sejam. É do choque de pensamentos que se criam novas ideias. Eu estou aqui para dizer o que eu penso, aos que se sintam incomodados... que tenham um bom dia.
sábado, 28 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Busca
Pobre diabo, levado desde cedo
Aos austeros recantos do sepulcro
Do dito salvador dos justos
A mente libertaria é domada
Nas doutrinas torna a dor
E a obediência cega
Nega a grandeza da vida
Entrega se ao post mortem
Agoniza dia após dia
Espera recompensa divina
Entre incertezas, por vezes, vacila
Punindo-se ao retomar ao torpor
Prefere a vida sofrida
A queimar no fogo do horror
Se será acolhido entre os justos,
Ou terá o eterno sono sem sonhos
Só o tempo dirá, com um susto
Ao findar em seu leito de morte
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Do lado errado
Do lado da linha que separa certo e errado encontrei uma
trilha
Desse lugar sinuoso e obtuso tracei toda uma vida
E partindo daquele ponto busquei coisas findas
Para não cair nas ciladas de minhas próprias manias
Do lado de lá do horizonte que separa bonito e feio vi
uma ilha
Com milhões de espelhos que refletiam tudo que se imagina
A multidão de sombras apagadas buscavam suas miraculosas
visões
Porém eram apenas sombras, mais e mais a se alimentar de ilusões
Do lado da fronteira dos sonhos e pesadelos me perdi num
pântano
Cujas trevas e árvores engalfinhadas me guiaram por seus
cantos
Lá torturantes imagens: passado, presente, futuro
brincavam de roda
Suas canções arderam meus ouvidos e sapecaram toda minh’alma
Ao fim da jornada pus-me a pensar sobre tudo que havia
visto
Seja pelas dores ou dissabores trouxe no peito um
conflito
Afinal se mesmo aquelas linhas por vezes se faziam bailarinas,
Quem poderia dizer realmente em qual dos lados estaria?
domingo, 8 de abril de 2012
Por um abraço
O
problema do ser humano é que sempre haverá um dia em que ele acordará sozinho
louco por um abraço, ou qualquer mostra de carinho. E justamente nesse dia
estará abandonado a seus pensamentos, que torturantes aranharam a sua sanidade
pouco-a-pouco.
É aquele
dia em que olhamos pro mundo como se ele quisesse cair sobre nós de uma vez só.
É o dia em que todas as nossas preocupações resolvem acordar – juntas – como
uma armadilha violenta. O dia no qual uma simples folha de papel parece ter o
peso do mundo.
E a
única coisa que poderia nos salvar é um simples abraço, talvez não tão simples
assim... Um abraço de se perder no tempo, um de carinho verdadeiro cheio de
gratuidade. A vida é dura de mais pra ser vivida sozinha, mesmo que não sejamos
incompletos somos seres sociais que dependem uns dos outros. E tão pouco somos
perfeitos pra não admitir que alguém nos ampare.
Talvez a
busca inquieta que temos por encontrar alguém se resuma a esses momentos de
fragilidade. Queremos alguém que esteja lá pra ser mais do que apenas alguém
que caminha por nossas vidas, mais do que apenas um rosto conhecido que um dia
cruzou nosso caminho. É preciso descobrir no outro toda a força que nos falta e
estabelecer com ele uma aliança de segurança e conforto.
Uma via
de mão dupla, sem sobreposição de poderes ou vontades. Apenas dois que, pela
mutua vontade e sabor, decidiram alicerçar as lacunas de seus vazios. Lançar-se
em uma relação é uma forma de buscar o equilíbrio para a vida, mais do que isso
é uma forma de aprender mais sobre si mesmo.
Descobrir
os próprios defeitos e virtudes, caminhar aprendendo a dividir. Dividir tudo:
prazeres, dores, esperanças, desenganos, sonhos e medos. E ser para o outro o
porto seguro que buscamos para nós mesmos, essa é a troca. Ser para o outro
tudo aquilo que queremos que ele seja para nós, aprendendo a respeitar limites
e temperamentos.
Seres
humanos são complexos e exigem tempo e paciência para serem compreendidos. Não
se sinta melhor do que ninguém, você é tão humano quanto qualquer outro, tão
cheio de defeitos e manias intrigantes quanto aqueles que você aponta. Tão
difícil e temperamental quanto aqueles dos quais você reclama continuamente.
Assim
mesmo haverá alguém com quem você se sentirá seguro. Alguém que aprenderá a
conviver com todas as suas manias chatas e loucuras. Enquanto você descobrirá o
quanto as manias loucas dessa pessoa te fazem rir, tornando-a ainda mais
especial. Aí então você poderá acordar num dia em que tudo parece dar errado e saber
que terá o conforto do abraço que irá afugentar todos os demônios e curar suas
agonias.
domingo, 1 de abril de 2012
Primeiros dias
Primeiros dias são sempre primeiros dias. Recheados de ansiedade com uma pitada de medo pelo desconhecido. Uma nova rotina, antes de fazer-se rotina, é toda novidade e vida. Até que caia no desencanto maquinado do “todo dia”.
Rostos novos, lugares novos, ares novos... O que buscamos dessas fases? Sacudir nossas sanidades em busca de outro olhar sobre o mundo, até o dia que descobrimos que não importa o quanto busquemos lutar alguma rotina vai sempre nos ganhar.
E mesmo assim lá estava eu, naquela sala de aula tão cheia de desconhecidos com seus semblantes que variavam de perdidos a uma contida empolgação. Eu mesmo tinha tantas expectativas que – provavelmente – tinha no rosto estampado toda a inocência que se pode encontrar em um primeiro dia de aula.
À medida que as semanas caminham aos poucos se esfriam os calores de novidade, mas será possível que em tudo exista uma rotina? Não há como fugir desse estado maquinário da vida? Pra mim parece um tanto complicado e, se fosse responder com base em todas as experiências de minha curta estadia terrena, diria que não é possível esconder-se das torturantes rodas da engrenagem que a vida nos propõe.
Porém quem sabe o que guardarão os anos e os tantos outros primeiros dias que estão por vir? Algum deles ainda poderá roubar a chama dessas vontades para mantê-la acessa mesmo nas mais frias noites de tempestade. Ou talvez esteja em nós saber criar e recriar nossas realidades para alimentar o sabor dos dias que passam tão compassados e assim fazê-los tropeçar – saindo de suas marcadas marchas e revelando o novo em se viver.
Deveras exigente querer uma vida sem rotinas. Muitos as enxergam como uma dádiva e não poderiam viver sem ser regidos por elas. Gostam do prazer do obvio, daquilo que é familiar e se repete – como um rato em sua gaiola girando sem parar em sua roda que não o leva a lugar nenhum. Sei que as rotinas não querem dizer estagnação, mas no meu íntimo sinto minguar uma chama ao imaginar ter de seguir tal caminho.
O gozo das primeiras experiências tem sempre o sabor requintado da descoberta. Não que seja sempre bom, entretanto – não importa se bom ou ruim – a marca deixada é única. Nunca mais poderemos ter outra primeira experiência de algo que já experimentamos. Triste? Talvez, mas essa é mais uma dessas peças que a vida trama pra que busquemos desfrutar todos seus sabores com vontade. Pois, muito provavelmente não voltaremos a senti-los.
sábado, 24 de março de 2012
Traço
Riscos no papel
Riscos na vida
Tudo são riscos
Outros rabiscos
Eu não me arrisco
A riscar por aqui
Uma vida em branco
Um papel em branco
O branco que é puro
O puro se crê branco
Na mente espanto
Algum solavanco
E deu um branco...
quinta-feira, 15 de março de 2012
Melhor da vida
A nossa memoria é inacreditavelmente divertida. Não exatamente a memoria... Mas como nossos estados de espírito interferem na percepção das coisas que vivenciamos. Por acaso você já pensou “esse é o momento mais feliz da minha vida”? Muito provavelmente mais de uma vez – normal.
É uma tendência muito forte pensar que o que estamos vivenciando no presente seja a coisa mais intensa que já sentimos até então, ou mesmo a mais intensa que jamais sentiremos em toda vida. No fundo não acho que seja algo ruim, é uma forma de desfrutar ao máximo aquilo que o presente nos dá.
A questão é: nem sempre o que estamos vivendo é algo bom. E o gosto de ser a emoção mais forte de toda a vida persiste nos casos negativos também, o que é perigoso. Uma dor muito grande pode parecer algo que nunca irá passar e a angústia provocada por ela pode criar cicatrizes profundas.
Somos humanos, as perdas deveriam ser algo natural. Porém, é muito difícil aceitar que algo não está como gostaríamos que estivesse. É doloroso, frustrante e não entendemos o “porque” de sermos vítimas de tamanho sofrimento.
Cada um de nós é o protagonista da própria vida e acredita ser o merecedor de algo a mais. Acredita ser alguém diferente dos demais, um merecedor profundo de algo que ninguém nunca poderá provar. Pena a realidade não ser assim tão boa, podemos sim encontrar nossos prêmios tão importantes para nós e que não fazem o menor sentido aos olhos de outrem. Em todo caso isso não quer dizer que sejamos mais merecedores de nada.
Voltando aos estados de espírito... Quando nós sentimos bem/completos e, por algum motivo, esse sentimento é repentinamente partido é como se fossemos atirados a um poço sem fundo. “Os dias nunca mais terão as cores de outrora...” até que nos deparamos com algo tão bom quanto aquilo que tínhamos anteriormente e – como por mágica – nos esquecemos de toda a angústia do passado. Pior, nos esquecemos daquele sentimento bom (“o maior de todos”) que se perdeu no passado.
Somos um bocado parecidos com os bichos, talvez mais do que muitos gostariam de ser. Vivemos o presente, vivemos aquilo que possuímos. Há aquelas também que se enganam para que uma dor – ou um amor – se eternize... Masoquismo? Uma forma de autopunição eterna, sem permitir a possibilidade de viver coisas novas.
A mente pode ser maliciosa e é necessário atenção para que não sejamos pegos por essas armadilhas (tão danadas) que nos preparamos. Faz parte do viver enfrentar situações boas e ruins - elas irão se alternar em ritmos loucos durante toda a vida. Isso é muito bom, uma vez que só aprendemos a dar valor às coisas depois de enfrentar situações desconfortáveis e torturantes.
O melhor de todos um dia virá e passará por nós, assim como o pior também o fará. A vida se apresenta em todos os seus sabores – e dessabores – deixando os dias menos monótonos e previsíveis. Aprendamos, então, a não nos esquecer de todos os bons momentos e a extrair a sabedoria dos maus. Para vivermos melhor com nossos próprios demônios e fazer da vida uma aprazível viajem de contentamento.
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